A crise não poderia ter vindo em melhor hora

Publicado a: 27 Maio, 2015

Categoria: Gestão

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Não estou brincando não. Acho que a crise pela qual estamos passando será excelente para as áreas de varejo e tecnologia no Brasil.

Na semana passada um grupo de empresários do varejo, todos de porte médio, me chamaram para ouvir minha opinião sobre a crise e o impacto no mercado. Mal eu tinha entrado na sala e o José disparou uma pergunta “Queremos saber quando a crise vai acabar e como vamos sobreviver até lá”.

Vou deixar claro que eu não tenho bola de cristal. Os empresários querem ouvir minha opinião porque sabem que estou em contato com muitas empresas, associações e entidades governamentais, então, acabo recebendo muitas informações – o que ajuda a montar um cenário do que pode vir pela frente.

Tenho um amigo que é um dos gurus da economia e ele diz que uma crise econômica é como uma gota de água em um lago calmo. A gota produz uma onda em formato circular que vai se afastando do epicentro onde caiu e vai perdendo intensidade com o afastamento.

A crise afeta, primeiro, os grandes centros e depois vai para os “interiores”. A crise afeta, primeiro, as grandes empresas e depois vai para as médias e pequenas. A crise afeta, primeiro, as empresas menos preparadas e depois vai se generalizando. Portanto, são vários vetores criando uma “MATRIZ DE IMPACTO” com empresas que serão afetadas em momentos e intensidades diferentes.

Para provar esta teoria eu pedi para que cada empresário anotasse em um pedaço de papel quanto ele havia crescido ou reduzido o faturamento comparando o primeiro trimestre de 2015 contra o primeiro trimestre de 2014. Recolhi todos os papéis, embaralhei para garantir o sigilo, e começamos a abrir e anotar os resultados no quadro. Cerca de 30% das empresas cresceram mais de 16%, e cerca de 10% reduziram mais de 16%. O José levantou indignado “Eu converso com estes empresários todos os dias e eles me falam que estão indo mal. Agora, vejo que o único que está indo mal aqui sou eu. Eles estão crescendo e rindo da minha cara. O que eu estou fazendo errado?”

Comentei que tínhamos feito uma pesquisa com cerca de 400 empresas de tecnologia da informação (TI) e que o resultado tinha sido semelhante, comparando o primeiro trimestre de 2015 com o primeiro trimestre de 2014: 34% das empresas tiveram crescimento acima de 16%, 6% com redução maior do que 16%. Na média, as empresas de tecnologia da informação (TI) tinham crescido 11%. As empresas que haviam feito um plano para 2015 tiveram um crescimento médio de 13.1% e as empresas sem planejamento cresceram somente 2.8%. Portanto fica comprovada a MATRIZ DE IMPACTO e os vetores que a formam.

Os vetores podem ser classificados como externos e internos. Os externos são, por exemplo, a localidade e o porte da sua empresa. Os internos são aqueles que estão sob sua esfera de controle, como planejamento, estratégia, foco e gestão em resultados.

As empresas que estão reduzindo de tamanho prestaram pouca atenção aos vetores internos e ficam apenas chorando e esperando que a crise passe. A crise não vai passar nos próximos 4 a 7 anos. Espera-se uma redução de 1% na economia este ano, um crescimento de 1% no ano que vem e uma recuperação muito lenta para os próximos 2 a 5 anos. Não dá para ficar chorando e reclamando pelos próximos 4 a 7 anos – haja auto-flagelação.

O empresário que quiser ficar no mercado vai ter que trabalhar diferente. Vai ter que dominar áreas de conhecimento onde ele tinha muita dificuldade, seja em administração, finanças, operações, marketing ou vendas.

Não é fácil e muitos não vão conseguir. É aqui que a crise será boa para o mercado Brasileiro. Ela fará uma depuração e teremos, quando a crise acabar, empresários altamente profissionalizados, oferecendo serviços de alta qualidade e conseguindo excelentes resultados para seus negócios.

Dagoberto Hajjar
Sócio fundador da ADVANCE Consulting
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