Brasil rumo à Grécia

Publicado a: 1 Fevereiro, 2016

Categoria: Gestão

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Demorei muito para escrever este artigo. Eu estou dividido: de um lado muito pessimista com a situação econômica do Brasil, e de outro lado, otimista com o desempenho do setor de TI.

Meu lado “cidadão Brasileiro” está aterrorizado as previsões para a economia em 2016. O governo já deu demonstrações que não está preparado para lidar com a inflação e o câmbio. O grande aumento do desemprego de uma população já empobrecida, aumentará a violência, em uma luta pela sobrevivência a qualquer custo.

A inadimplência está atingindo 4 milhões do total de 5.5 milhões de empresas no Brasil. Estamos totalizando 57 milhões de consumidores inadimplentes, de um total de 79 milhões de pessoas economicamente ativas. O Governo fechou 2015 com um déficit nas contas públicas de quase USD 30 Bilhões, o pior resultado desde 1997. Vários economistas falam de uma retração de 5 a 6% para 2016. Alguns investidores internacionais manifestam sua preocupação em o Brasil deixar de honrar seus compromissos financeiros, tornando-se uma nova Grécia.

Em uma única ação da polícia federal, chamada de operação lava-jato, foram identificados mais de 22.000 corruptos que estão sendo processados e penalizados. A corrupção destruiu o valor de mercado da Petrobrás – empresa símbolo do Brasil. A Petrobrás que está sendo processada por 39 fundos de investimentos internacionais por propaganda enganosa e má administração, e que deverá ser penalizada com multas pesadíssima ainda neste começo de ano.

Mas, com tudo isto, meu lado de “tecnologia” está otimista. A crise econômica, que assombra e desafia o Brasil, não está sendo perversa com todas as empresas de TI. Cerca de 20% das empresas de TI tiveram crescimento acima de 15% em 2015, um ano com retração de 3.5% na economia. O mercado de TI como um todo cresceu 6.2% em 2015, sinalizando que as empresas olham para TI como uma excelente ferramenta para minimizar os impactos da crise.

Os dados são de uma pesquisa recém divulgada pela ADVANCE Consulting que entrevistou mais de 400 empresários de TI.

Para 2016 as empresas de TI esperam um crescimento de 6% o que, novamente, parece ser um excelente resultado mediante a expectativa de forte retração da economia brasileira. Mais da metade das empresas de TI estão planejando aumentar, em 2016, o quadro de colaboradores e os investimentos em marketing e vendas, tendo como principal estratégia a expansão da carteira de clientes. Cerca de 20% das empresas de TI estão planejando crescimento de mais de 15%.

Cerca de 30% das empresas brasileiras de TI (Tecnologia da Informação) tiveram retração de vendas em 2015, comparado com 2014, e reduziram o quadro de colaboradores e investimentos em marketing e vendas. Do outro lado temos 37% das empresas de TI que aumentaram as vendas, o quadro de colaboradores e os investimentos em marketing e vendas.

A crise está fazendo o dinheiro mudar de mãos, e a pesquisa apontou dois grandes fatores: o primeiro é a escolha correta da tecnologia a ser oferecida ao mercado, o segundo é o estabelecimento de um plano estratégico com disciplina na execução.

Cloud Computing (computação em nuvem) é a tecnologia com maior taxa de crescimento e vem, trimestre a trimestre, superando as expectativas de crescimento dos empresários. No começo de 2015, as empresas que ofereceram produtos e serviços em Cloud tinham uma expectativa de terminar o ano com 21% do seu faturamento vindo desta oferta. Em Dezembro, os empresários apuraram que 31% do seu faturamento veio de Cloud (contra os 21% previstos). Passam, então, a ter uma previsão de que 43% do seu faturamento virá de Cloud em 2016 e 55% em 2017.

Managed Services (serviços gerenciados) também desponta como uma grande surpresa, já sendo oferecida por mais de 31% das empresas entrevistadas. Estas empresas tiveram 15% do seu faturamento de 2015 vindo desta oferta e têm uma previsão de 18% em 2016 e 21% em 2017.

As empresas que estão perdendo a pizza são as que mantém as ofertas tradicionais. Em especial a categoria mais afetada foi a de empresas que oferecem infraestrutura (PCs, servidores, impressoras, redes e voz).

O grande desafio, então, é mudar o modelo de negócios com segurança. Oferecer Cloud Computing e Managed Services exige uma estrutura de marketing e vendas totalmente diferente. Você tem que redefinir processos, adotar novas metodologias de vendas, trabalhar com marketing digital, passar a entender de conceitos de custos de aquisição e manutenção de clientes, integrar as ações de marketing apoiando os vendedores em cada uma das etapas do funil de vendas, adotar novos indicadores de desempenho e gerenciar as equipes de marketing e vendas de outras maneiras.

Aparentemente o Brasil será uma nova Grécia, mas com tecnologia de ponta.

Dagoberto Hajjar
Sócio fundador da ADVANCE Consulting
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