Gestão, RH e Consultoria

Publicado a: 6 Janeiro, 2016

Categoria: Gestão

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Após ligação ao mundo da Consultoria nos últimos 10 anos, tive o prazer de desempenhar diversas funções observando, executando e até mesmo errando, o que me levou a escrever um pouco sobre aqueles que, para mim, são alguns dos pilares da criação de equipas de sucesso. Sucesso é uma medida subjetiva, pois para cada indivíduo será relativo às suas expetativas e ambições, no entanto e no meu caso considero que, neste hiato de tempo, tive o privilégio de integrar e contribuir em duas equipas de sucesso. Porquê? Porque, acima de tudo, as pessoas que compunham estas equipas tiveram sempre presentes estes princípios e forma de estar.

Não sou um crente em segredos que assegurem êxito apesar de admitir que há muitos e bons conselhos nesse tipo de artigo, no entanto, acredito em trabalhar para atingir objetivos e que estes são alguns dos princípios basilares para maximizar a probabilidade de ser bem-sucedido.

 

Verdade

É o principal e mais importante, pois dizer a verdade por mais dura, cruel ou inesperada trará benefícios a médio ou longo prazo. Quer estejamos com um cliente, onde uma não verdade poderá resultar num grave problema a resolver no futuro, ou com colegas, com quem vamos apenas criar desilusão. Com a verdade construímos um futuro de confiança, de cumprimento de expetativas e, por consequência, espaço para poderem existir os demais pilares sobre os quais irei escrever-vos neste artigo.

Lembro-me perfeitamente de uma situação que me marcou, durante um processo de recrutamento na última empresa onde trabalhei. Conduzi esse processo junto de um Candidato que estava muito motivado para integrar a unidade pela qual, na altura, era corresponsável. No entanto fiz questão de sempre referir que este processo era da empresa e não da unidade, pelo que a aceitar a proposta que lhe apresentei teria que estar interessado em qualquer uma das realidades possíveis. O, na altura, Candidato aceitou a proposta e só um ano após a sua entrada veio a integrar a tal unidade que tinha colocado como objetivo, por uma questão de oportunidade, mas também por mérito e trajeto que traçou. Quase nunca o caminho mais fácil é o melhor.

 

Responsabilidade

Nos últimos anos, por ter assumido a responsabilidade pela Gestão da Unidade que acima referi, sempre tenho defendido estruturas de responsabilização por oposição a estruturas hierárquicas. É verdade que existem hierarquias, mas estas não são mais do que a organização de responsabilidades, pois a cada nível correspondem obrigações diferentes.

Todos, sem exceção, gostamos que o lixo dos contentores seja recolhido, que quando utilizamos uma casa de banho pública esteja praticamente nas mesmas condições de higiene que temos em casa, de ter um outro projeto de TI para participar após terminar o atual. São tarefas da responsabilidade de pessoas com quem, provavelmente, cruzam-se de vez em quando e independentemente de qualificações académicas, níveis de QI ou qualquer outro padrão de normalização que conheçam, a nossa expetativa é que quem é responsável cumpra.

Responsabilidade é um elemento chave para o sucesso individual e coletivo e nunca devemos esconder-nos, caso contrário dificilmente alguma vez teremos de colegas, amigos ou familiares espaço para exercer os demais pilares que se seguem.

 

Exemplo

Novamente, muitos são os artigos que distinguem um chefe de um líder, sobre características de um de e outro e é verdade que existem diferenças na definição que todos fazemos – não é menos verdade que o corretor ortográfico também identifica estas palavras como sinónimos. Portanto vamos focar-nos no essencial, pois mais que chefiar ou liderar uma equipa, dar o exemplo é válido para ambos. Ninguém consegue exercer responsabilidades de chefia ou liderança se não for respeitado pelos demais ou não reverem nessa pessoa o exemplo de que vos escrevo.

Confesso que um livro que me marcou, pela sua essência e não tanto por alguns atos relatados pela história, foi A Arte da Guerra, por Sun Tzu. Este é um autêntico manual resultado de muitas conquistas, experiências e estratégias de um autêntico exemplo moderno, novamente foquemo-nos na essência do livro, de um General Chinês que viveu na era da China Antiga. Julgo que dificilmente, volvidos que estão 2500 anos após os acontecimentos que serviram para Sun Tzu documentar, o que mais tarde se viria a chamar de A Arte da Guerra, encontrar melhor referência do que é comandar por exemplo.

 

Empenho

Poucas são as coisas que caem do céu ou que nos são oferecidas por algo divino, consoante a vossa fé ou religião. Se não nos empenhamos no dia a dia garantidamente não teremos sucesso, não será possível atingir os mais difíceis objetivos que traçamos e, como diz o provérbio popular “Não confie na sorte. O triunfo nasce da luta.”.

No entanto empenho não é unicamente uma característica profissional relacionada com trabalho. Podemos e devemos empenharmo-nos em tudo o que fazemos. Foram inúmeras as vezes que, enquanto Consultor de TI, passei dias, semanas e meses a trabalhar quase ininterruptamente. Nesses momentos existia um claro objetivo, que queria atingir e era necessário um nível de empenho muito acima do que seria normal. Foi uma decisão minha, que a curto prazo pesou no cansaço, mas a médio prazo revelou-se um objetivo cumprido, um sucesso. Mas não acredito que seja algo exequível por muito tempo, de forma consecutiva, pois o mesmo empenho que temos no nosso trabalho devemos tê-lo em casa, com os amigos e, principalmente, com a família.

Da mesma forma, hoje em dia, vejo várias equipas com quem trabalhei nestes 10 anos demonstrarem esta mesma característica, empenho e objetivos individuais e coletivos para assegurar que, no final, teremos sucesso nos projetos que levamos a cabo.

Tudo é feito de equilíbrios, há que conseguir encontrar o equilíbrio perfeito entre todas as componentes e, acima de tudo, as pessoas que nos rodeiam.

 

Excelência

Vamos por partes, em primeiro lugar não em excelência ou perfeição. Acredito sim que, pela natureza humana, estamos sempre em processo de aprendizagem contínuo. No entanto isso não invalida que devemos sempre e em tudo dar 100% – isso será excelência dentro daquelas que são as nossas capacidades a cada momento.

De que serve traçarmos um objetivo e envolvermo-nos em determinada tarefa se não investirmos 100% do que conseguimos nessa mesma tarefa? Não seria esse tempo mais determinante noutra atividade? Faria sentido investir 80 horas de uma equipa a analisar um projeto se só estivéssemos dispostos a dar 50% das nossas capacidades? Ou investir numa relação com uma outra pessoa a 30%?

O tempo é finito, mas é igual para todos nós, portanto a cada dia a forma como decidimos encarar outras 24 horas deve, na minha opinião, ser a 100% em tudo o que fazemos.

 

Motivação

Finalmente, talvez o mais instável dos pilares, mas indiscutivelmente importante é a motivação. Aquilo que podemos alcançar, os sucessos que podemos obter, estão indiscutivelmente mais próximos se existir motivação.

Quando a motivação não é a melhor, há várias abordagens que fui tendo ao longo dos anos. Em primeiro lugar pensar em todos os restantes tópicos que aqui abordei, deverá ser a auto motivação a primeira tentativa que devemos testar. Seguidamente há que procurar ajuda de colegas de confiança, amigos e familiares – na maioria dos casos estou certo que caso falhem na primeira sugestão, encontrarão aqui solução. Já tendo passado por períodos de menor motivação sempre foi fundamental a ajuda de algumas pessoas para dar a volta à situação (vocês sabem do que eu estou a falar Smile). No final há sempre a mudança e o procurar de outros desafios que nos devolvam a referida motivação, porque sem ela é muito complicado ter sucesso.

 

Breves palavras para terminar (está quase)

A todas as pessoas com quem tive o prazer de trabalhar até hoje, que se revejam nas palavras que aqui escrevo, este artigo é para vocês e inspirado em vocês. Um muito obrigado por fazerem parte da minha vida!

Resolvi, neste artigo em particular, fugir sobre o tema tecnologia – será algo passageiro, certamente – porque após 10 anos resolvi tentar partilhar convosco alguns temas e momentos que me marcaram.

Aproveitando a época do ano, desejo-vos a todos um Próspero 2016, que consigam que a verdade, responsabilidade, exemplo, empenho, excelência e motivação sejam a base dos vossos sucessos!

 

Francisco Teixeira
Professor Universitário
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