Quanto vale a Internet das Coisas?

Publicado a: 16 Novembro, 2016

Categoria: Big Data, Cloud & Mobile

Visualizações: 1287

Tags: , , , , ,

A 3ª Plataforma de Inovação de TI (Tecnologias de Informação) – suportada pelas tecnologias móveis, aplicações sociais, soluções de big data e analítica de negócio e pelos serviços de cloud computing tem sido o motor do crescimento e da inovação da indústria de TI nos últimos 5 anos, e está a alterar significativamente o modo como as organizações de todos os setores não só disponibilizam serviços de TI, mas principalmente como se relacionam com clientes, parceiros, colaboradores e desenvolvem nos produtos, serviços e modelos de negócio.

Neste contexto vimos nascer milhares de empresas na 3ª Plataforma com modelos de negócio inovadores e que, em pouco mais de cinco anos, conseguiram liderar setores tradicionais como os transportes, turismo, retalho e rapidamente estão a por em causa outros como a banca, seguros, indústria, serviços, enfim, todos os setores económicos. Vimos também empresas líderes nos seus setores a abraçarem a 3ª Plataforma e acelerarem as suas estratégias de transformação digital.

Após o rápido desenvolvimento da 3ª Plataforma de TI, a IDC antecipou nos últimos anos o rápido desenvolvimento de uma nova vaga de tecnologias – Internet of Things (IoT), tecnologias virtuais/realidade aumentada, impressão 3D, wearables, robótica e sistemas cognitivos -, desenvolvidas no topo da 3ª Plataforma de TI, e que a IDC designa como Aceleradores da Inovação, que vão permitir ampliar as capacidades das tecnologias de informação e que vão ser responsáveis pela criação de oportunidades de transformação digital nas organizações de todos os setores.

Esta nova geração de tecnologias, desenvolvida no topo da 3ª Plataforma de TI, vai ter um impacto diferenciado no interior das organizações a nível mundial. Assim, de todas as tecnologias referidas anteriormente, a IoT é aquela que se encontra num estado de maturidade mais avançada, assim como aquela que poderá ter um impacto mais transversal nas organizações. A IDC prevê que nos próximos 12 meses esta tecnologia venha a ser de utilização corrente nas organizações a nível mundial.

 

fig-1

 Figura 1 – 3ª Plataforma Tecnológica e os Aceleradores de Inovação

 Fonte: IDC, 2015

 

A IDC define Internet of Things (IoT) como uma rede de redes de pontos de acesso (ou coisas) identificáveis que comunicam (com ou sem fios) sem interação humana através de conectividade IP – seja localmente ou globalmente – e as soluções IoT incluem os seguintes componentes tecnológicos:

  • Equipamentos geridos por sistemas inteligentes;
  • Conectividade;
  • Plataformas (equipamento, rede, suporte e aplicações);
  • Analítica/social business;
  • Aplicações e casos de utilização setoriais;
  • Segurança e serviços profissionais desenhados para assegurar fiabilidade, níveis de serviço (SLA) e qualidade de serviço (QoS)

 

É importante também contextualizar o conceito de IoT entre o conceito de M2M e IoE. Em resumo temos:

M2M – Um equipamento que captura um evento e transmite através de uma rede, para uma aplicação que traduz em informação com sentido.

IoT – Uma rede de “coisas” identificáveis que comunicam sem interação humana através de conectividade IP.

IoE – A agregação de pessoas, processos, dados e coisas para tornar as ligações de rede mais relevantes através da transformação da informação em ações.

De facto a IDC classifica a IoT como um dos principais aceleradores de inovação da 3ª plataforma tecnológica, sendo uma das áreas com maior potencial de transformação da sociedade e economia. Mais concretamente, e em termos empresariais, a IoT permite transformar os processos de negócio, a forma como trabalhamos, a forma como interagimos com clientes e ainda transformar e criar novos produtos e serviços.

 

Porque razão a IoT é transformacional?

Na Perspectiva do Mercado

  • É escalável (i.e., biliões de equipamentos);
  • Assenta nos quatro pilares da transformação digital: Cloud, Mobilidade, Big Data e Hiperconectividade.

Na Perspectiva das Organizações

  • Aumenta a competitividade, produtos e serviços mais baratos, melhora a cadeia de abastecimento, redução de inatividade, soluções personalizáveis;
  • Potencial para alterar o debate de produzir para vender para sentir e responder;
  • Impacto para lá das TIC.

 

A nível mundial, as estimativas da IDC apontam para uma base instalada de equipamentos IoT superior aos 10 mil milhões em 2014 (excluindo equipamentos geridos por humanos como PCs, Smartphones, etc). A IDC prevê que a base instalada de equipamentos IoT ultrapasse os 30 mil milhões em 2020 em todo o mundo, o que corresponde a um crescimento anual composto de 24%.

Em termos de valores, a IDC estima que o mercado tenha gerado cerca de 600 mil milhões de euros em 2014 e atinja quase 1,6 biliões de euros em 2020 em todo o mundo. O que corresponde a um crescimento anual composto de 17%.

Em termos de composição do mercado, o mercado de módulos/sensores e conectividade representam 54% do mercado e continuarão a representar mais de 50% do mercado IoT em 2020. Os mercados que registarão os maiores crescimento são: Software Analítico (19% de crescimento mas a representar apenas 1% do mercado em 2020), Plataformas IoT (18% de crescimento e a representar 3% do mercado em 2020) e os “Services as a Service” (18% de crescimento e a representar 13% do mercado em 2020) .

 

fig-2

Figura 2 – Base instalada IoT mundial vai triplicar

 

 fig-3

Figura 3 – Dispositivos autónomos vão representar quase 80% da base instalada em 2020
(milhares de dispositivos)

 

Em Portugal, as estimativas da IDC apontam para uma base instalada de 900 mil equipamentos IoT em 2015, só com conectividade 2G/3G/4G. A IDC prevê que a base instalada de equipamentos IoT com conectividade 2G/3G/4G atinja quase 2 milhões em 2020. O que corresponde a um crescimento anual composto de 16%.

Para além dos 900 mil equipamentos IoT com conectividade 2G/3G/4G, a IDC estima que existam quase 30 milhões de equipamentos conectados através da rede fixa e móvel, incluindo WiFi outras tecnologias (ex. PLC e UNB/LPWA).

Contudo Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer já que apenas 44% das organizações de médio e grande porte têm interesse utilizar soluções com base na IoT, quando esta proporção é de 70% na Europa Ocidental e quase 90% nos EUA. Em Portugal as principais razões apontadas pelas empresas que não têm interesse estão relacionadas com o custo de implementação das soluções. Os setores económicos mais maduros são: Energia, Utilities, Telcom&Media e Transportes. Os setores menos maduros são: Administração Pública, Saúde, Indústria, Banca e Distribuição&Retalho.

IoT é um Pilar Fundamental para a Transformação Digital das Organizações!

 

Implicações setoriais da IoT

Smart Planet

  • Sensores ambientais
  • Poluição, deteção de fraudes
  • Monitorização meteorológica

Smart Cities

  • Gestão de tráfego
  • Segurança
  • Controlo da iluminação
  • Gestão de águas
  • Lixeiras inteligentes

Smart Transport

  • Mobilidade elétrica
  • Logística inteligente
  • Infraestrutura
  • Comboios de alta velocidade
  • Aplicações de viagens

Smart Buildings

  • Residências inteligentes
  • Iluminação & Controlo A/C
  • Sensores de presença
  • Segurança inteligente
  • Contadores inteligentes

Smart Energy

  • Redes inteligentes
  • Deteção de falhas/monitorização
  • Sensores energéticos
  • Contadores de consumo
  • Centrais elétricas virtuais

Smart Industry

  • Produção otimizada
  • Iluminação, segurança
  • Atuadores
  • Robótica

Smart Health

  • Sensores bio
  • Diagnóstico remoto
  • Monitorização da saúde

Smart Living

  • Tempos livres e entretenimento
  • Informação J.I.T.
  • Conectividade total

 

Gabriel Coimbra
Country Manager na IDC
LinkedIn | Gabriel CoimbraTwitter| Gabriel CoimbraBiografia Completa

Leia mais artigos deste autor.

 

Partilhe este artigo:
Share on Facebook
Facebook
0Share on LinkedIn
Linkedin
Share on Google+
Google+
0Tweet about this on Twitter
Twitter

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *