#TechXLR8 – Tecnologia Digital – 2018 London Technology Accelerate

Foi ótimo estar de volta a um Festival de Tecnologia, desta vez no 2018 London Technology Accelerate. Os tópicos estavam muito bem distribuídos, com empresas e empresários a mostrar o porquê das suas vozes em palestras, painéis de sessão, demonstrações e inúmeros eventos de socialização.

Face ao que observei no decorrer de três dias, a minha primeira conclusão é um alerta para a extrema importância de “olhar em frente” e de estar “bem atualizado”. A evolução da tecnologia digital simplesmente não dá tréguas e em muitos casos irá expor uma necessidade de mudança que para alguns poderá ser fatal… que nos diga a Kodak ou a ToysRus!

Moley Robotic Kitchen

É necessário parar e pensar se “estou a inovar da melhor forma?”, procurando o melhor balanço entre novas e atuais propostas de valor, que garantam o continuado retorno do investimento. Os departamentos de TI de última geração, com base em modelos puramente Cloud e DevOps, são o modelo base das novas empresas; no entanto as estabelecidas enfrentam uma lentidão esmagadora na inovação, na adoção de novas tecnologias e com necessidades emergentes de restruturar custos (processos, pessoas, tecnologia). Neste contexto, é importante simplificar e ser pragmático, em particular quando alguém já resolveu o problema/desafio em questão.

Voltando… foram cinco os tópicos que prenderam a minha atenção:

1. Customer Experience (#CX) – Componente fulcral do cliente digital que está a mudar a forma como as empresas fazem negócios. Embora forneça um entendimento claro sobre as necessidades do cliente, tipos de utilizadores (personas) e histórias de uso, deve fornecer uma abordagem clara de como fazer negócio, colocando o Cliente no centro de tudo. É importante compreender a maturidade CX e nutrir todos os canais digitais nos quais o cliente se envolve – social, email, aplicações, sites ou suporte – sabendo que este, é bem mais habilidoso do que se pensa.

O Digital está a transformar setores como E-commerce (Amazon), entretenimento (Netflix), automóvel (autónomo e elétrico), fabrico (Ocado Intelligent Warehouse), viagens (Virgin Hyperloop), telecomunicações (5G com latência zero).

Da mesma forma, há que referir que a Realidade Aumentada e a Realidade Virtual (AR & VR) estão a tornar-se canais disruptivos e a principal interface de “interação espacial”, com mundos inimagináveis ​​a florescer em todas as superfícies.

2. Blockchain tem que estar no seu radar! É ótimo ver uma tecnologia a desafiar os protetorados de hoje, em particular no mundo financeiro, introduzindo novas maneiras de trocar, armazenar valor ou identidade. Embora possa parecer complexo como funciona, o princípio é a introdução de uma forma descentralizada de persistir e confiar nos dados – uma rede confiável de dados ponto a ponto. Então, as próximas perguntas podem ser … estarão os meus fornecedores prontos? Existe uma governação digital para Blockchain? e provavelmente o mais importante de todos … “o meu negócio está a ser descentralizado?” Alguns fatos: 10% do PIB global será armazenado em Blockchain até 2025; 1640 criptomoedas no mercado; strap.net, hyperledger.org são projectos opensource a visitar.

3. DevOps é a maneira de trabalhar em digital em colaboração permanente. Estive num painel muito interessante intitulado “O caminho para o fim das operações?”, onde se discutiu a fusão das operações com o desenvolvimento. De facto, todos querem codificar Infraestrutura, fazer alterações com impacto nulo no cliente, introduzir automação de processos, “extinguir a equipa de DBAs”, mas acima de tudo há que perguntar – quem é o utilizador final? Qual o resultado pretendido? DevOps é a oportunidade de tornar as organizações mais resilientes e envolvidas em torno do cliente, do negócio às operações. Abrace o risco, a mudança e incremente as capacidades das pessoas! Mas … por onde começar? Comece com as pessoas de produção ou com as que lideram entradas em produção. A equipa Rolls Roice Engine levou 5 anos a implementar DevOps com Microsoft Azure Cloud.

4. Cloud, sim, ela está lá, se não se quiser ter custos significativos com data centers e se tiver projetos a custar quase metade só em contratos de IaaS on-premise. A Cloud, em si, não teria significado se não pudesse escalar a velocidade do hardware e do software, otimizando o custo de servir. Esta é a oportunidade de diversificar monólitos, introduzindo novos tipos SOA, como micro serviços e ferramentas de orquestração, como o Kubernetes, para escalar aplicações em containers através de infraestrutura declarativa. Foi bom sinal ver a Oracle a desafiar o Status Quo com sua oferta Cloud e a falar sobre novos paradigmas de orquestrar serviços, tal como funções – um trecho de código servido como um serviço (FaaS – Function as a Service). Mas atenção, a Cloud custa dinheiro! Pelo que administre as suas necessidades elásticas com cuidado e de acordo com as necessidades do negócio.

5. e sim…Internet of Things! É a tecnologia que irá definir como os sistemas comunicam, operam e trocam conhecimento nos próximos anos. É um ecossistema incrível de inovação, com os operadores de comunicações a oferecer aos consumidores e empresas, redes globais como o satélite, ou a Rede móvel de baixa potência (LPWA), possibilitando serviços diferenciadores como as redes de metering, seguros & telemetria automóvel, cidades inteligentes. O ecossistema de inovação em IoT exigirá parcerias muito fortes à medida que a cadeia de valor se torna mais relevante para as indústrias do sector público. No setor automóvel, a Jaguar Land Rover está a construir um carro digital totalmente conectado em tecnologia Cloud e Edge em parceria com a Waymo (Alphabet), para a condução assistida e partilha automóvel. A Microsoft (FPGA – Field Programmable Gate Arrays) e o Google AndroidThings (SoM – System on a Module) estão a desenvolver chips para computação de aplicações com suporte a inteligência artificial e machine learning, que podem analisar enormes quantidades de dados em tempo real em dispositivos conectados. Num futuro bem próximo, um carro poderá gerar mais de 4 Terabytes de informação diária, permitindo novas oportunidades de negócio, aumentando a segurança rodoviária e melhorando a gestão de tráfego com informação e conhecimento em tempo real.

Vasco Elvas
Head of IT - Internet of Things na Vodafone
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