Relatório da Devoteam alerta que o maior desafio das empresas já não é adoptar IA, mas transformar este investimento em valor real de negócio.
A corrida à inovação tecnológica já não é o principal desafio das empresas. A inteligência artificial já está a gerar resultados concretos, mas o seu impacto continua a depender mais da forma como é aplicada, do que da tecnologia escolhida. Esta é a principal conclusão do TechRadar 2026, o relatório anual da consultora tecnológica Devoteam que analisa as tendências tecnológicas e o seu grau de maturidade no contexto empresarial.
Num cenário marcado pela aceleração da inteligência artificial, pela crescente complexidade dos ecossistemas digitais e pela pressão para decidir mais rapidamente, o relatório aponta para uma mudança de paradigma: 2026 será o ano em que as empresas terão de passar da experimentação tecnológica para a execução disciplinada.
Inteligência Artificial: do entusiasmo ao retorno real
A inteligência artificial (IA) continua a dominar a agenda tecnológica, no entanto o TechRadar alerta para uma realidade muitas vezes ignorada: o verdadeiro retorno do investimento em IA não está nas ferramentas generalistas, mas na sua aplicação especializada e integrada nos processos de negócio.
A Devoteam identifica uma clara evolução do foco em GenAI para AI Agents, sistemas capazes de raciocinar, interagir com ferramentas e executar tarefas multi etapa com maior autonomia. Plataformas como Microsoft Foundry, Vertex AI Agent Builder, Microsoft Copilot Studio e Google Agent Development Kit são destacadas como tecnologias prontas para a adoção, refletindo uma nova geração de soluções empresariais mais governadas, seguras e orientadas para resultados.
Ao mesmo tempo, o relatório sublinha que a nova prioridade já não é apenas o prompt engineering, mas sim o context engineering, ou seja, a capacidade de fornecer aos modelos, contexto fiável, dados estruturados e acesso controlado a sistemas críticos.
Dados: investimento elevado, impacto reduzido
Outro dos grandes alertas do relatório incide sobre a forma como as organizações gerem os seus dados. Apesar dos investimentos significativos em plataformas cloud e analytics, muitas empresas continuam incapazes de transformar dados em decisões rápidas e confiáveis.
Segundo o TechRadar, a inteligência baseada em dados só emerge quando existe governação, semântica comum e integração direta nos fluxos de trabalho. Semantic layers, modelos de dados consistentes e regras claras de ownership tornam-se elementos indispensáveis para suportar tanto decisões humanas como sistemas autónomos. A transição de dashboards estáticos para decision systems, alimentados por interfaces conversacionais e analytics embutida, representa também uma das mudanças mais estruturais destacadas pela Devoteam para 2026.
Cloud, desenvolvimento e segurança entram numa nova fase
Relativamente à Cloud, o relatório reforça que esta deixou de ser apenas uma infraestrutura, para se afirmar como uma decisão estratégica que influencia soberania, sustentabilidade e capacidade de inovação. Ao mesmo tempo, a aceleração do desenvolvimento assistido por IA está a transformar radicalmente a engenharia de software. Ferramentas como Cursor, LangChain e n8n prometem ganhos significativos de produtividade, mas trazem novos riscos relacionados com dívida técnica, qualidade de código e governança.
Na área da Cybersecurity, a mensagem é inequívoca: a segurança precisa de estar integrada desde a origem. Com ataques cada vez mais automatizados e potenciados por IA, a resposta passa igualmente por sistemas inteligentes de defesa, modelos Zero Trust e observabilidade contínua.
Transformação digital é, antes de mais, transformação organizacional
Para a Devoteam, a verdadeira transformação digital continua a ser, acima de tudo, uma transformação organizacional. O TechRadar 2026 sublinha que confiança, competências e mudança cultural serão fatores tão determinantes quanto qualquer plataforma tecnológica.
As organizações que conseguirem alinhar tecnologia, governação e talento estarão mais preparadas para construir sistemas inteligentes, resilientes e sustentáveis. As restantes correm o risco de acumular ferramentas sem nunca capturar o seu valor.
Num mercado onde a inovação já não é escassa, a vantagem competitiva passará pela capacidade de escolher com rigor, implementar com disciplina e escalar com confiança, sendo 2026 o ano para usar melhor a tecnologia que realmente gere valor.




